1.1.06

Gênesis 1 - 3 - A Canção de Deus

Gênesis 1 e 2

Se perguntarmos a dez pessoas como surgiu o universo, nove, provavelmente, responderão que foi por meio de uma grande explosão. Afinal de contas, deixando de lado o Criacionismo, a teoria do Big Bang é a mais aceita pela maioria das pessoas.
Longe de mim transformar esse texto num concentrado de ideias criacionistas X ideias evolucionistas, até porque não tenho o menor respaldo pra entrar numa discussão desse nível. Toco nesse ponto, por uma razão muito simples: O ano de 2006 iniciou e eu comecei mais um programa de leitura da Bíblia, o chamado “Ano Bíblico”.
Comecei pelo princípio de tudo; quando “... criou Deus os céus e a terra.” (Gn. 1:1).
E ao iniciar a leitura do Gênesis, a primeira coisa que me vem à mente é exatamente isso: Um grande estouro! Um BOOM!!!
Um show de luzes, cores, formatos, texturas, sabores, cheiros, ritmos, sons...
Acontece que o Big Bang que invade minha mente, ao ler os dois primeiros capítulos do livro de Gênesis, consiste numa explosão detalhada, cuidadosa e muito bem planejada por Alguém de excepcional criatividade e sensibilidade. Um verdadeiro amante do belo, um artista sem-igual.
A grande verdade é que a glória da criação me emociona de tal forma que, pra mim, é impossível ignorar a existência de um Deus-Criador.
Curiosamente, esse ano, comecei meu ano bíblico após ter assistido o “Por Dentro da Orquestra”, um programa exibido pela TV Cultura. E adivinhem o que foi exibido no programa desse 1º de Janeiro? Pois bem, pra acompanhar meu início de ano bíblico, minha leitura dos primeiros capítulos de Gênesis, nada mais apropriado; o “Por Dentro da Orquestra” apresentou uma seleção dos melhores momentos do oratório “A Criação”, do compositor austríaco Joseph Haydn.
O acorde inicial da orquestra representa uma espécie de Big Bang, e, em seguida “A Criação”, de Haydn, narra os seis primeiros dias de criação do Universo, tendo como ponto de partida fragmentos do Gênesis e do poema “Paraíso Perdido”, de John Milton.
Ler o relato da Criação, após ouvir a música de Haydn, me fez lembrar a criação de Nárnia (um paralelo entre a Criação do mundo), que eu tinha lido há pouco tempo.
C. S. Lewis, o autor de “As Crônicas de Nárnia”, descreve de forma belíssima o leão Aslan (uma alegoria de Cristo) criando todas as coisas do seu mundo (Nárnia) por meio de uma canção.
Foi gostoso imaginar a criação do nosso mundo assim, envolvida por música; tendo O Artista de todas as coisas também como o compositor de uma bela canção; afinal de contas, foi O próprio Deus quem disse pra Jó que enquanto Ele lançava os fundamentos da terra “as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam.” (Jó 38: 4 e 7)
Outra coisa que me deixa comovido com a leitura desses dois capítulos é o cuidado divino.
Deus criou um mundo com todas as condições para a nossa sobrevivência: Ar, sol, luz, calor, alimentos, água, companhia, trabalho, lazer, um dia para descanso... Um mundo perfeito! O homem tinha à disposição TUDO o que ele precisava. Deus cuidou de todos os detalhes.
Gênesis capítulos um e dois, nos dão a certeza de que aquilo que Deus planejou - e planeja - para o homem, sem sombra de dúvidas é o que há de melhor e mais completo para o mesmo.

Gênesis 3

É estranho notar que, embora o homem tivesse TUDO o que precisava para viver bem e ser feliz, ainda assim, parece que TUDO lhe era pouco.
Através da leitura de Gênesis capítulo três, encontramos o homem, achando “a árvore boa para se comer” – quando tinha à sua disposição uma infinidade de frutos; “árvore agradável aos olhos” – quando estava cercado das mais belas obras da criação; “e árvore desejável para dar entendimento" – quando possuía a eternidade para adquirir conhecimento do próprio Deus.
E assim, uma outra explosão surgiu. Diferente da primeira, essa trazia consigo trevas, dores, dissabores, morte... Uma mancha no belo quadro da criação, uma dor pungente no coração do Criador, uma nota dissonante em Sua canção.

“Qual será a sensação [para Deus] de ver as glórias da criação – as florestas tropicais, as baleias, os elefantes – destruídos um a um? (...) Sempre pensei na queda em termos de seus efeitos sobre nós, seres humanos, ou seja, nas penalidades descritas em Gênesis 3. Dessa vez, fiquei impressionado por seus efeitos sobre Deus. A Bíblia dedica apenas dois capítulos às glórias da criação original. Tudo o que se sucede descreve o agonizante curso da recriação.” (Encontrando Deus nos lugares mais inesperados, pág. 45 – Philip Yancey)

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