2.1.06

Gênesis 4 – 7 – Providência

“De pena algumas lágrimas verteram,
Mas resignados logo as enxugaram.
Diante deles estava inteiro o Mundo
Para a seu gosto habitação tomarem,
E tinham por seu guia a Providência.”

(John Milton - Paraíso Perdido)
Minha vó quando se sentia atribulada, preocupada ou passando por dificuldades, tinha a mania de ficar repetindo um certo ditado – que, diga-se de passagem, nunca ouvi o mesmo da boca de outra pessoa além da dela; o que me leva a desconfiar que o tal ditado bem que pode ter sido de sua autoria – que embora soe engraçado, encerra uma grande verdade.
De forma quase cantada, ela dizia assim: “Deus providente! Deus proverá! A providência divina nunca há de me faltar!”Ao terminar de ler os capítulos de hoje do ano bíblico, lembrei de minha vó, com sua voz grave e cheia de devoção repetindo esse ditado ininterruptamente; só parando quando se sentia um pouco confortada.
Ontem refleti sobre o cuidado divino. Confessei sentir-me comovido com o fato de Deus ter criado um mundo com todas as condições para a sobrevivência e felicidade do homem. Era um mundo perfeito. Um homem perfeito.
Mas, esse homem perfeito parece não ter se contentado com o que tinha e desobedeceu a Deus, como vimos no capítulo três do livro de Gênesis ontem. No entanto, nem por isso a providência divina lhe faltou. Pelo contrário, após o pecado a providência divina passou a fluir mais abundantemente.
Voltando um pouco ao capítulo três encontramos uma prova disso. Mesmo depois do pecado, Deus continuou cuidando das necessidades do homem: “Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.” (Gn. 3:21) - Aqui está incutida uma providência muito maior. Um cordeiro precisou morrer para cobrir a nudez de Adão e Eva; assim como um outro Cordeiro precisaria morrer para livrar-nos da vergonha do pecado.
E no primeiro versículo do capítulo quatro, Eva, embora tenha recebido a maldição de ter os sofrimentos da gravidez multiplicados e de em meio de dores dar a luz (Gn. 3:16), reconhece ter adquirido um varão com o auxílio do Senhor (Gn. 4:1).

Caim
Infelizmente, são poucos os que estão dispostos a reconhecer a providência divina, e, mais poucos ainda são os que estão dispostos a dar a Deus o que Ele deseja. Foi assim com Caim. Provavelmente ele já tinha ouvido sobre o cordeiro que foi morto no Éden para poder cobrir a nudez de seus pais, e no que estava por trás disto. Entretanto, a não-aceitação de sua oferta fez com que ele tirasse a vida de seu próprio irmão, entrando assim para a história como o autor do primeiro homicídio.
Curiosamente descobri em minha “Bíblia de Estudo Almeida”, um comentário que me chamou muito a atenção. A respeito de Gênesis 4:15 – “O Senhor, porém, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem o encontrasse.” – é dito seguinte: “O texto não indica em que consistia o sinal ou marca que o Senhor pôs em Caim. Certo é que tal sinal colocava o culpado sob a proteção de Deus e lhe preservava a vida.” Espantoso concluir que mesmo amaldiçoando, Deus provê misericórdia.

Genealogias e mais providências
É no capítulo quatro que começam as genealogias – as culpadas pelo fato de muita gente desistir do ano bíblico. No entanto, dessa vez encarei as primeiras genealogias sob outro ponto de vista. Fiquei imaginando o quanto Deus deve ter usado de Sua providência na vida daqueles homens de nome esquisito. Sem contar que, é por meio desse cansativo viveu-gerou-e-morreu, que temos contato com nomes como Sete – mais uma providência de Deus para Eva, “... em lugar de Abel, que Caim matou.” (Gn. 4:25); Enos – a partir de quem “... se começou a invocar o nome do Senhor” (Gn. 4:26); Enoque – aquele que andou “...com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.” (Gn. 5:24) e Noé – por meio de quem Deus providenciou a salvação das espécies humana e animal. (Gn. 6 e 7).

Como já dizia minha vó: “Deus providente! Deus proverá! A providência divina nunca há de me faltar!”
Amém!

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